Este blog mudou de nome.
Mas persisto na pretensão de que este espaço possa continuar a ser um despretensioso ponto de Permanente Reencontro de amigos, que vá servindo para dar à tramela.

"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sábado, 20 de janeiro de 2018

Possíveis candidatos ao Nobel da Literatura

Propostos pelos membros da Classe de Letras da Academia de Ciências de Lisboa, Agustina Bessa-Luís e Manuel Alegre são possíveis candidatos ao Nobel da Literatura de 2018.

Todos os anos o Comité Nobel da Academia Sueca convida várias instituições a apresentarem candidaturas ao Nobel. É a quarta vez que a Academia de Ciências de Lisboa é chamada a participar na apresentação de candidaturas.









Tão diferentes, assim irmanados...

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Ondas


«As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.»
Sophia de Mello Breyner Andresen


A espantosa virtualidade das coisas

Continuamos no domínio do virtual.




Já em 2017...

Vidas cada vez mais virtuais...

«A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.»

Alberto Caeiro reescreveria o poema?


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Quando o vazio gera riqueza

A reportagem do Público de hoje:


Já o jornal digital Dinheiro Vivo tinha trazido informação sobre os 10 maiores youtubers portugueses e o seu sucesso, medido em seguidores e receitas.


Para conhecer o que eles fazem...
Espreitei o primeiro...
Espreitei o segundo... que não é um segundo qualquer: ele "subiu à segunda posição do terceiro lugar".


Já não espreitei o terceiro... (nem acabei de ver os dois primeiros. Haja pachorra!)

Penso que os pais têm razões em estar preocupados!

Penso que, socialmente, temos razões para estar preocupados com a saúde mental dos jovens seguidores.
Quanto aos youtubers, se também devemos ter o mesmo tipo de preocupação, devemos considerar a atenuante de ser uma falta de saúde mental geradora de riqueza. 

O mundo é dos espertos!
Salve-se quem puder!
Mas temo pelo futuro da agricultura...


domingo, 14 de janeiro de 2018

O que procuramos será real?



O que procuramos será real? Ou será o impossível
fruto do desejo sempre latente e indefinível?
Ou não será imediata presença
e só a nossa distracção a perde ou turva o seu cristal?
Talvez tenhamos perdido o dom da simplicidade
e da tranquila conivência com as coisas
Se pudéssemos coincidir o movimento com a suspensão
o vazio seria a plenitude
e a palavra não trairia o silêncio 
nem a evidência solar de cada coisa
Só esta presença nos daria o túmido equilíbrio
de pertencer ao mundo como uma haste de trigo
e de possuir um corpo com a turgência nova
de uma primavera vagarosamente ingénua
vagamente indolentemente luminosa
António Ramos Rosa, As Palavras




sábado, 13 de janeiro de 2018

Do Outro Lado do Espelho


Em exposição...
... até 5 de Fevereiro...
... Fundação C. Gulbenkian.


«Os espelhos fariam bem em reflectir um pouco antes de nos devolverem as imagens.»
Jean Cocteau





«E de tudo os espelhos são a invenção mais impura.»
(Herberto Hélder)



















Ao luar de Janeiro...



Ainda não me lembrei de comprar o Borda d'Água...


domingo, 24 de dezembro de 2017

Adoração dos pastores

«Naquela região havia pastores que passavam a noite no campo guardando os rebanhos. Apareceu-lhe um anjo e a luz gloriosa do Senhor envolveu-os. Ficaram muito assustados, mas o anjo disse-lhes: "Não tenham medo! Venho aqui trazer-vos uma boa nova que será motivo de grande alegria para todo o povo. Pois nasceu hoje, na cidade de David, o vosso Salvador que é Cristo, o Senhor! Poderão reconhecê-lo por este sinal: encontrarão o menino envolvido em panos e deitado numa manjedoura."
Nisto ao anjo muitos outros anjos do céu louvando a Deus e cantando:
"Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na Terra aos homens a quem ele quer bem!"
Mal os anjos partiram para o Céu, os pastores disseram uns para os outros: "Vamos a Belém para vermos o que o Senhor nos deu a conhecer." Foram a toda a pressa e lá encontraram Maria e José, e o menino, que estava deitado na manjedoura.»
Lucas, 2:8-16

El Greco - Adoração dos Pastores


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Tendências de "administração" dos professores

«Desde o início do século XXI, têm surgido novas tendências de "administração" dos professores, cruzando três lógicas distintas.

A primeira é o reforço de dispositivos de avaliação, acentuando não os processos de desenvolvimento profissional, mas o estabelecimento de hierarquias dentro do professorado. Num contexto marcado pela omnipresença de indicadores internacionais, estes dispositivos tendem a evoluir para uma remuneração em função dos resultados escolares dos alunos. 

A segunda é a intensificação do trabalho dos professores, que vem atingindo níveis impensáveis, seja por via de uma escola transbordante, que quer fazer tudo, seja por via de uma burocratização crescente da vida escolar e docente.

A terceira é a inflação de materiais didácticos e pedagógicos, impressos ou digitais, que se destinam a "facilitar" a acção docente, mas que representam uma diminuição da autonomia dos professores e do seu trabalho profissional.

Ainda que por vias diferentes, todas estas políticas têm consequências nefastas na vida dos professores. Mais do que nunca, é necessário reforçar a profissionalidade docente, através de dinâmicas colaborativas e de uma maior participação dos professores na vida das escolas e nas políticas públicas de educação.»
António Sampaio da Nóvoa
(intervenção no congresso dobre a actividade docente em todos os níveis de ensino, organizado pela Fac. de Psicologia e de Ciências da Educação da Univ. do Porto)


domingo, 12 de novembro de 2017

O Panteão Nacional... para lá da (actual) polémica

Santa Engrácia viveu ao sabor do tempo, dos sucessivos atrasos da sua construção e dos acasos da sua ocupação/função, nem sempre de acordo com a sua nobreza ("o mais belo dos nossos monumentos do século XVII", segundo Ramalho Ortigão) - quartel, depósito de material de guerra, oficina de calçado...

Santa Engrácia tem uma longa história de tolerância. Um jantar é só um pequeno pormenor, um fait-divers em que somos pródigos.
E essa prodigalidade floresce quando parece que alguém descobre a pólvora e consegue criar um alvoroço que percorre as redes sociais - o agitar de asas da borboleta -, contagia os meios de comunicação social, entidades muito sensíveis a esses bater de asas e... depois, alguém se lembra que a pólvora há muito que foi descoberta. E dá-se o bater de asas de sinal contrário. 
Porque, afinal, jantares e festas já lá houve muitos (por que razão se fizeram tabelas de preços?), tendo passado despercebidos. A memória é curta ou o conhecimento é pouco. 
Mas, pelo menos, tivemos assunto de conversa para o fim de semana e ainda ficam os ecos.

Se não me parece desadequado? Parece!




Por acaso, isto é, levado por Manuel de Arriaga, fui lá ontem, ainda mal informado do jantar de encerramento da (ou do?) Web Summit

Ao acaso de diferentes contextos políticos se tem decidido sobre as personalidades cujos restos mortais aí devem repousar - que critério para juntar Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona? 
Isto a propósito de Presidentes. Porquê estes (ou só estes), dois a dois de "sinais" tão contrários?

E os escritores? Garrett, João de Deus, Junqueiro, Aquilino, Sophia... 
Mas por que não aquele e o outro, Saramago, por exemplo, que foi Nobel, mais oitocentistas - Eça, Herculano, Camilo - ou Torga, Raul Brandão, Pascoaes, Vergílio Ferreira... ou Nemésio, Jorge de Sena, José Rodrigues Miguéis... 

Por que não artistas plásticos? Amadeo, Almada, Vieira da Silva...
E por que não cientistas, filósofos?
Vamo-nos lá lembrar... 

Já lá estão a Amália e o Eusébio, tendo este último animado (involuntariamente, coitado, porque o próprio nem chegou a saber) a discussão sobre os critérios que devem levar à decisão de "pantear" os nossos cidadãos mais ilustres. 
Quem será o próximo? 


Voltemo-nos para o já esquecido sorriso das vacas!
Fiquemos pelas vistas:








A vista do terraço permanecerá.
Independentemente das (ou dos?) Web Summits, dos "tumulados" (e "destumulados") no Panteão, dos cruzeiros, com ou sem terminais..., ou de alguma névoa sobre o rio...


P.S. - De quem se encontra no Panteão, creio que só me faltou referir Humberto Delgado. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A Revolução Bolchevique

Há poucos dias (31 de Outubro) celebraram-se os 500 anos da revolução luterana.
Nunca Lutero terá pensado que, ao pregar na porta da igreja do castelo de Wittenberg as 95 teses contra a venda de indulgências pelo papa, iria dar início a uma transformação que ultrapassou o estrito campo religioso e abalou o mundo ocidental.

Desde então, na esfera política e social, a Francesa e a Russa foram as revoluções que se seguiram e moldaram os dois últimos séculos.

Da Revolução Russa comemoraram-se ontem os 100 anos.
De França permanece o ideal da trindade Liberté, Egalité, Fraternité.
Nos dias de hoje, há quem se interrogue se Outubro chegou (mesmo) ao fim.


«Aparentemente, só era preciso um sinal para os povos se levantarem, substituírem o capitalismo pelo socialismo, e com isso transformarem os sofrimentos sem sentido da guerra mundial em algo mais positivo: as sangrentas dores e convulsões do parto de um novo mundo. A Revolução Russa, ou, mais precisamente, a Revolução Bolchevique de Outubro de 1917, pretendeu dar ao mundo esse sinal. Tornou-se, portanto, um acontecimento tão fundamental para a história deste século quanto a Revolução Francesa de 1789 para o século XIX. Na verdade, não é por acaso que a história do século XX (...) praticamente coincide com o período de vida do Estado nascido da Revolução de Outubro.
(...) A Revolução de Outubro produziu de longe o mais formidável movimento revolucionário organizado na história moderna.»
Eric Hobsbawm, A Era dos Extremos - História breve do século XX 1914 - 1991


terça-feira, 7 de novembro de 2017

A Revolução de Outubro em Novembro

Há 100 anos...



A 7 de Novembro de 1917, pelo calendário gregoriano, 23 de Outubro pelo calendário juliano, em vigor na Rússia de então, os bolcheviques, comandados por Trotski, tomaram de assalto o Palácio de Inverno, sede do Governo, e outras posições-chave.

À noite desse dia, os sovietes, reunidos em congresso, confiavam o poder a um Conselho de Comissários do Povo chefiado por Lenine.



sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Agarrados!



Catalunha candidata ao Nobel do disparate político

Pior era difícil!
"Tiros no pé", "golos na própria baliza", as expressões que quiserem... 


Quando os independentistas estão na mó de baixo, o Governo espanhol faz disparate, de forma a reanimá-los.

Quando o Governo espanhol está sob a mira da crítica, os líderes(?) independentistas resolvem disparatar, de forma a dar argumentos ao poder central.


domingo, 29 de outubro de 2017

Marcelo Rebelo de Sousa põe em risco a nossa independência!!!

Não sabemos qual foi a forma de contacto com o rei Filipe IV - o jornal diz que foi de "viva voz", mas Filipe IV já está tão morto que terá sido numa sessão à volta de uma mesa pé de galo!
O Público online dava conta da posição do Presidente da República em relação à "unidade do Estado espanhol".
Marcelo Rebelo de Sousa, sendo favorável à manutenção dessa unidade, não apoia os Conjurados na luta pela independência de Portugal, o que não deixa de causar surpresa e põe o seu lugar em risco!
Filipe IV de Espanha, portanto, Filipe III de Portugal, pode estar descansado por esse lado. Não é por Marcelo que a União Ibérica está em causa e que existirá um 1.º de Dezembro!



sábado, 28 de outubro de 2017

Os gigantes de 1867 por Eugénio de Andrade (3) - Camilo Pessanha

«(...) creio que só a Camilo Pessanha amei em segredo como mestre.»



«(...) ele coara de todo o sarro as poéticas fin-de-siècle, que eram as do seu tempo, o que nem Pessoa nem Sá-Carneiro haviam conseguido, relativamente ao tempo deles, com tal perfeição. Mas a sedução maior daquela alquimia estava na sua magistral capacidade de sugerir, de insinuar, de não concluir o que fora começado a dizer, como se dizer não fora para Pessanha o que mais importava. Era a indecisão tornada matéria de poesia, criando-se com esta reticência, uma hesitação entre pensar e sentir. Nunca no corpo do poema o rigor se aproximara tanto do abandono, como se nenhuma elaboração preexistisse àquela trama de misteriosa transparência, como se as palavras desde sempre estivessem apenas destinadas ao ritmo daquela "água morrente", o que eu já sabia ser impossível.»

Eugénio de Andrade, Os afluentes do silêncio


Os gigantes de 1867 por Eugénio de Andrade (2) - António Nobre

«Uma ou outra vez a voz insinuante de António Nobre me seduziu: foi quando descobri o singular ritmo dos seus versos - o ritmo de quem embala ao peito as próprias mágoas, que teimam em não adormecer.
Se à sua visão falta fundura, a melodia nela sobe, sobe, sem hesitações, e diz o que tem a dizer com uma comovida e dificílima naturalidade.»



«Como não reconhecer em António Nobre um mestre, um mestre da sensibilidade portuguesa?»


Eugénio de Andrade, Os afluentes do silêncio


Os gigantes de 1867 por Eugénio de Andrade (1) - Raul Brandão

«Era um poeta - às palavras estava condenado, mas só elas o poderiam salvar. Só nas palavras a treva do seu ser abria para a luz. E não era a luz toda a ternura do mundo? Por isso se lhes abandonava, com uma confiança que nunca dera à vida. Quando, oh quando poderia regressar ao azul limpo dos seus olhos, sem tropeçar na angústia mais viva? Que voz o poderia reconduzir aos dias em que a consciência de existir não era ainda consciência de ser uma só e paciente espera da morte? Contra a morte só tinha palavras - as que lhe subiam à boca. Na "noite velha" cantava. Cantava para sua mãe que, debaixo da terra, talvez o ouvisse ainda; cantava para o Nel, que depois de tantos anos ainda o via subir às figueiras, aos figos lampos, para lhe dar; cantava para aquela velhinha que lenta, lentamente, subia a ladeira apoiada numa bengala. Cantava para a transparência do mundo.»

Eugénio de Andrade, Os afluentes do silêncio



Gigantes

«1867, Um Ano de Gigantes» foi o título de um congresso organizado, esta semana, pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias - CLEPUL (da Faculdade de Letras de Lisboa), que assinalou os 150 anos do nascimento de três nomes grandes da literatura portuguesa: Raul Brandão, António Nobre e Camilo Pessanha, por ordem cronológica.

Vivendo na mesma época, foram três personalidades bem distintas que construíram, cada um per se, uma obra original e precursora, que reflecte os respectivos universos particulares.

«Os seus percursos autorais configuram importantíssimas respostas a um momento de confluências e transições, que passam pela receção crítica da cultura portuguesa em sentidos convergentes e distintos dos ensaiados ao longo do século XIX, em particular pela Geração de 70, pela imagem que deles foi feita por parte dos mais representativos escritores das primeiras décadas do século XX, e pela renovação que deram aos géneros e formas consagrados, antecipando em muitos aspetos o que de mais moderno e singular se produziria ao longo de Novecentos.» 
(do programa do congresso)


Eyes Wide Shut





sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Complexidade político-social

Greve da Função Pública



À oposição agrada a realização da greve - é uma acção contra a política do Governo (uma jornalista da Antena 1 dizia "é a primeira greve contra António Costa"!) e mais um factor de desgaste.

À oposição não agrada a política do Governo de reposição de direitos e regalias dos funcionários públicos. Portanto, não lhe deverá agradar o sucesso da greve.

A oposição está pelo Governo ou pelos funcionários públicos?
Abstém-se, porque pensa que tudo é mau?

1 X 2 - jogo de tripla?


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Júlio Resende - No cavalete, um espaço num desafio


«No cavalete, um espaço num desafio. Os pincéis estão ao alcance da mão. O homem subsistirá numa progressiva ascensão enquanto existir a arte como imagem do espírito, como paradigma da fraternidade universal e sinal de transformação...»
Júlio Resende





Casa-atelier Júlio Resende, local de vida e de trabalho do pintor entre os anos 1962 a 2011 (Gramido, Valbom - Gondomar).


Júlio Resende - centenário do nascimento



«Nasci a 23 de Outubro na Trav. de Sá de Noronha, número 14, na cidade do Porto. Era o segundo filho de um casal curioso. Meu pai, de nome Manuel Martins Dias, era um pequeno comerciante de fazendas e camisaria, com estabelecimento aberto nos baixos do prédio. Passara de caixeiro esforçado e diligente, tempos atrás, à sua independência, talvez sonhada… O estabelecimento dispunha de uma montra e duas portas. Não era, decididamente, dotado de perspicácia e sorte para o comércio.
Minha mãe, Emília Resende da Silva Dias, por seu lado, era o que poderá dizer-se uma mulher singular. Incrível que pareça, recebera de meu próprio pai, em menina, as primeiras noções de música. Entre ambos havia uma notória diferença de idade.»
Júlio Resende, Autobiografia



domingo, 22 de outubro de 2017

Impressionante!...


Não estamos habituados a estes níveis em modalidades técnicas.
Digo eu (pode ser ignorância!)


E a mulher teve sorte!...

Cometido o adultério, podia ter sido lapidada, punida de acordo com a lei bíblica, morta ao abrigo do Código Penal de 1866... 


Excerto do acórdão da Relação do Porto: