"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Resposta (aberta) à carta da Fernanda

Fernanda
Esta é uma resposta já tardia à afectuosa carta que nos escreveste.
Ficou para a véspera do regresso à escola.

Há uma parcela enorme de acasos na vida (embora todos tenham causas objectivas).
Do cruzamento dos nexos causais no espaço e no tempo nascem os acasos e assim nos cruzamos ou assim nos encontramos.
E depois dos acasos ficam os propósitos.
Escolhemos e somos escolhidos pelo que nos toca e pelo que tocamos ou por quem nos toca e por quem tocamos. E devemos ficar gratos pelo que aprendemos, pelo que partilhamos e pelo que guardamos, na memória e cá dentro, no coração, dizem.
Obrigado pela tua carta.
Pelos muitos anos de encontros, de partilha de saberes e de afectos
obrigado, formiguinha-cigarra

É o primeiro ano na Paulo da Gama que começo o ano sem ti
(mas sempre contigo)


Eléctricos em Lisboa

A primeira linha de carros eléctricos em Lisboa, do Cais do Sodré a Ribamar (Algés), foi inaugurada há 110 anos, facto bem lembrado pelo Google (conforme a imagem).


Citando um jornal da época: «A inauguração da tracção eléctrica satisfez completamente o público que, em grande número, concorreu a presenciar o importante melhoramento, a elegância luxuosa dos carros, a comodidade que oferecem aos passageiros e a rapidez da marcha.»



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Para a Sara


A imagem traz-me à memória um tempo de promessas férteis.
Uma doce lembrança...

Que na Sara de hoje continues a ser a Sara que conheci e que lembro com ternura.







Sara e Ana Catarina, Castelo de Vide - 1999

Sexo com os Neandertais foi bom para nós? E para eles?

Vi hoje que o Público do passado dia 26 tinha um artigo com o título “Sexo com os Neandertais foi bom para nós”.
Para nós... Quem?
Eh, pá!... Uma pessoa está fora, de férias, e não sabe de nada!...

E para os Neandertais e para as Neardertais também terá sido?

Um Neandertal de aspecto sensível comentando o caso

domingo, 28 de agosto de 2011

O furacão da minha sogra

Uma pessoa está uma semana fora, longe do mundo civilizado e da agenda noticiosa, preparando a sua rentrée, e quando regressa sabe de um furacão Irene na costa leste dos Estados Unidos.

Irene, Irene... Não posso deixar a minha sogra sozinha que faz logo das dela!

Stress traumático pós-férias

Vista matinal (da janela do quarto)
Ao regressar a casa depois de uns dias “na aldeia”, já sinto saudades dos galos a cantarem ao nascer do dia, do festival canoro da passarada, do fresco a entrar pela janela aberta, do orvalho nos verdes, do crocitar dos corvos que esvoaçavam entre duas árvores no terreno ao fundo, da espera pelo pão fresco que a padeira trazia num saco de pano...

Não conheço outra
linguagem que não seja
a do orvalho

Jorge Sousa Braga, Fogo sobre fogo

Férias


Quando me levantei
já as minhas sandálias andavam
a passear lá fora na relva

Esta noite
até os atacadores dos sapatos
floriram
Jorge Sousa Braga, Os pés luminosos

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O sucesso será maior com a redução da TSU

Bartoon, de Luís Afonso, no Público de hoje

Com a redução da TSU para as empresas... as coisas podem melhorar!
Viva o Movimento Naïf no Governo!


Woodstock - recuerdos

... que não os meus (directamente).
Não conheci a Cindy...
(quem escreveu provavelmente também não estaria em grandes condições de a conhecer... a Cindy não sei - repito que não conheci a Cindy - eu ia fazer 11 anos)




Atraso no programa - Woodstock só terminou a 18

A 15 foi difícil começar - a confusão era muita...

Para mim, Woodstock só aconteceu com 5 ou 6 anos de atraso, no cinema.



Jimi Hendrix encerrou o festival já na manhã de 18

Ao fim destes anos, musicalmente,
impressiona-me ver os novíssimos Santana... 

... sobretudo o seu baterista, Michael Shrieve


Tenho pena que os Crosby, Stills & Nash não tenham sido contemplados, no filme, na versão quarteto, com o Neil Young (que também lá esteve) e que a actuação da Melanie não faça parte do filme, nem na última versão - Ultimate Collector's Edition.



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pimento nacionalista

Este pimento encarna o espírito da Nação!
(tive dificuldade foi de o pôr em pé para a fotografia)


É a economia, estúpido!


Diário Económico on-line, 16 de Agosto de 2011

Qualquer dia ainda vão descobrir que a obsessão do défice atrasa o desenvolvimento económico.

Comunidade Europeia funciona a 2

Diário de Notícias on-line, 16 de Agosto de 2011

As reuniões são uma maçada!
Assim se evitam chatices aos outros 25.

Avaliação docente – a palma do martírio

Diário de Notícias on-line, 13 de Agosto
Santo António, sobre quem escrevemos aqui ontem (o plural majestático fica bem, mesmo em tempos de república pelintra, mas quem escreveu fui eu, que o pessoal tirou férias!), Santo António, dizia, impressionado com a chegada a Santa Cruz das relíquias dos cinco mártires franciscanos de Marrocos, quis partir para este território, “num desejo de missionar e tomar a palma do martírio”.

Em Portugal, nos anos mais recentes, cada Ministro da Educação que toma posse também toma logo a palma do martírio de publicar um (mais ou menos) novo modelo de avaliação dos docentes. E nós, professores, sentimos logo mais viva a nossa fé e o nosso desejo de tomarmos logo mais duas ou três palmas do martírio, porque sofremos os martírios do ME e ainda somos muito capazes de nos martirizar a nós próprios.
Reproduzindo aquela frase usual quando nos oferecem uma prendinha, “Mas porqu’é que se estiveram a incomodar? Não valia a pena! Olh’agora a maçada!”
Ainda na semana passada trouxe da escola a “grata recordação” de uma pasta com documentos sobre a avaliação do desempenho docente, de 2008, onde tenho muito tempo de trabalho. Não serviu p’ra nada! Ó p’ra ela:


O que eu acho piada triste preocupante nas notícias sobre a avaliação dos professores, é a quantidade de comentários que revelam um trauma profundo em relação ao nosso trabalho. Mesmo sem perceberem, muitas vezes, do que estão a falar, falam, barafustam, praguejam...
Será que fomos nós os culpados da sua má formação? Será que os avaliámos mal? Será que ainda vamos ser intimados a pagar a conta aos psiquiatras?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Santo António a 15 de Agosto

Santo António num painel
de azulejos no edifício da
C.M. Cascias
15 de Agosto é o dia convencionado para o nascimento de Santo António, Fernando Martins de seu nome, também conhecido como Fernando de Bulhões, como aparece em textos alguns mais tarde. Em 1191? 1193 ou 1195?
Nasceu no local onde foi construída a igreja sob a sua invocação, perto das antigas Portas de Ferro da Cerca Moura de Lisboa e da Sé – Catedral de Santa Maria Maior – onde se baptizou, estudou e terá sido Menino do Coro.
Ingressou como noviço em 1210 no Convento de São Vicente de Fora, pertencente à Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, de onde seguiu para o Convento de Santa Cruz (Coimbra), onde foi ordenado sacerdote.
Tornou-se Frade Menor (franciscano) em 1220, pela admiração que tinha em relação aos frades mendicantes do Convento dos Olivais, também em Coimbra. Aí adoptou o nome de António em honra de Santo Antão Abade e Ermita, padroeiro do Convento dos Olivais.
Passou por Marrocos em missão de evangelização, viveu em Itália e na França, onde, depois de investido pelo próprio S. Francisco, “que lhe chamou seu Bispo”, percorreu regiões pregando e ensinando os frades. Foi na Itália que se notabilizou como teólogo e grande pregador. Integrou o movimento de evangelização que procurava recuperar Cátaros e Albigenses, o que lhe valeu o título de “incansável martelo dos hereges”.
Regressado a Itália no ano da morte de S. Francisco (1226), morreu em Arcela, no dia 13 de Junho de 1231, quando seguia a caminho de Pádua, em cuja basílica, construída em sua memória, repousam os restos mortais.
Foi canonizado em Maio de 1232, a canonização mais rápida da história da Igreja, o que é objecto de referência no Guiness Book.
Foi elevado a Doutor da Igreja (Doutor Evangélico) pelo papa Pio XII, em 1946.

Nossa Senhora confiando o Menino a Santo António

Tem várias representações iconográficas, sendo a mais frequente a de um jovem tonsurado envergando o traje dos frades menores (franciscanos), segurando o Menino Jesus sobre um livro e tendo uma cruz ou um ramo de açucenas na outra mão.
Há uma série de curiosas crenças populares à volta do Santo, mas essas ficam para o próximo dia de Santo António.


P.S. - Este post é dedicado aos leitores fãs do Santo António.
Vou procurar melhorar as imagens.

domingo, 14 de agosto de 2011

Museu Nacional do Azulejo

Em 1509, D. Leonor, rainha viúva de D. João II, fundou o Convento de Nossa Senhora da Madre de Deus, situado em Enxabregas, doado às freiras clarissas, provenientes do Mosteiro de Jesus (Setúbal).


Conta-se que...
Estando D. Leonor sem saber que nome dar ao convento, lhe apareceram dois belos jovens que lhe propuseram a compra de uma imagem de rara beleza: uma representação da Madre-de-Deus. D. Leonor terá recusado a sua compra devido ao elevado preço, mas os moços deixaram ficar a imagem, para que ela reflectisse na sua possível aquisição e... nunca mais voltaram. A rainha entendeu que seria um sinal do céu – os dois jovens seriam anjos e a imagem dava-lhe a resposta às dúvidas sobre o nome do convento.

Lápide da sepultura de D. Leonor
Igreja do Convento da Madre de Deus

Depois de muitas histórias, nos seus claustros e aposentos anexos foi fundado, em 1965, o Museu do Azulejo, inicialmente como secção do Museu Nacional de Arte Antiga. Só em 1980 o Museu do Azulejo passou a Museu Nacional em 1980.


E o Museu lá se encontra, alargado e renovado, fazendo jus a uma arte bem representativa em Portugal.

Ilusório - Obra de Querubim Lapa













A Ceifa, pormenor de um painel que forrava a parede da
Padaria Independente, na Rua da Graça












sábado, 13 de agosto de 2011

A juventude está perdida! Whole Lotta Love

Em 1968, pelas ilhas britânicas, formou-se um grupo de rock, de seu nome Led Zeppelin.
Em Outubro de 1969, essa banda editou o seu segundo disco: Led Zeppelin II.
A faixa de abertura, um sucesso, intitulava-se Whole Lotta Love.
Começa com um dos riffs mais famosos da história do rock e passa pelo recurso a uma variação do theremin (instrumento electrónico) por Jimmy Page (o guitarrista do grupo), por um dos seus conhecidos solos de guitarra e pelos gemidos do vocalista (Robert Plant). 
Em 2011, 42 anos depois, Tiago C., um jovem com pouco mais de metade da idade desta música, divulga Whole Lotta Love.

Diz-me: o qu’é q’andas a ouvir mais?
É uma curiosidade de cota (que já tinha remetido o Whole Lotta Love para o baú das recordações).


Curiosidade: como Jimmy Page não toca o theremin fica demonstrado neste filme (versão truncada de Whole Lotta Love). Para conhecer a música, vejam ouçam o segundo vídeo.






sexta-feira, 12 de agosto de 2011

F. Sardinha "on the rail"

Pensar que já andas On the road, com Kerouac!...

«Dean era um parente ocidental do sol. Apesar da minha tia me ter prevenido de que ele ia meter-me em sarilhos, eu ouvia um apelo diferente e via novos horizontes e, com a minha pouca idade, acreditava nisso; e alguns sarilhos, ou mesmo a subsequente rejeição por parte de Dean da minha pessoa como amigo íntimo, humilhando-me, como faria mais tarde, em calçadas de fome e leitos de doença – que importava isso? Eu era um jovem escritor e queria zarpar para outro lado.

Sabia que algures, pelo caminho, haveria raparigas, visões, tudo; algures, pelo caminho, a pérola ser-me-ia entregue.»
Jack Kerouac, Pela estrada fora

Para ti, agora, será mais um on the rails.
Diverte-te.
Um feliz inter-rail. Que não percas nenhuma ligação.
Se perderes... Não te percas a ti!

E nós por cá? Geração à rasca - A nossa culpa

Capa da revista Ler, Janeiro de 2011,
onde foi publicada uma entrevista com Villaverde Cabral
A propósito das novas gerações, recebi, já lá vão uns meses (estava, então, na moda a "geração à rasca"), um texto de Mia Couto (ou a ele atribuído), via M.ª José.
É um pouco extenso, mas aqui o deixo.


«Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio. Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?»


Nota: Villaverde Cabral, na entrevista à revista Ler, não disse exactamente o que saiu na capa e a frase, tirada do contexto, não exprime integralmente o pensamento de VC. É mais complexo o raciocínio, são mais complexas as questões ou a realidade.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sonha, Sara

Recordações dos meus periquitos!...
Com os teus comentários vieste-me lembrar que vocês eram "os meus periquitos".

Podiam não saber quem iriam ser (acho que nunca sabemos...), mas sonhavam... Vocês sonhavam!
Sonha, Sara.
Continua a sonhar!

Durante a viagem a Mértola - 1999

Ler os teus comentários logo pela manhã fez-me ganhar o dia.
Beijinho



Façam-lhes um desenho!...

2011-08-09
Leiam o texto de Stéphane Hessel, na coluna aqui à esquerda: estão lá resumidas as razões por que se verificam as acções violentas nas cidades inglesas e estão lá as ideias a que deve obedecer a governação para que não existam as condições que conduzem a esses acontecimentos.
Alguém que explique isso aos políticos que nos governam. Façam-lhes um desenho!...

A sociedade vai-se desestruturando, tornando as famílias células inaptas. É preocupante que, em muitas famílias, em muitas situações, desde muito cedo, sejam os filhos a mandar nos pais e haja filhos a viver como se não tivessem pais.
Mas “os mercados estão nervosos”, como diz a comunicação social e pronto!... Centremo-nos nos interesses dos especuladores. Prestemos vassalagem aos mercados.
Sejamos cegos e sigamos a pescadinha de rabo na boca. Até...

«Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!»
Alexandre O’Neill, Saber viver é vender a alma ao diabo,
in Abandono vigiado

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Com amorzade

Aos amigos que me visitam
Porque achei piada ao texto e gostei do conceito (ou vice-versa).

«O pintor italiano Valerio Adami dedicou-me assim um desenho. Com amorzade e a justeza da expressão surpreendeu-me: não me tinha passado pela cabeça que é exactamente o que sinto pelos meus amigos, os vivos e aqueles que morreram, ou antes, não morreram, só não puderam vir hoje, logo à noite ou amanhã telefonam e estarão no sítio em que combinámos, sem falta, e a gente a abraçar-se às palmadas nas costas. Porque razão os homens se abraçam sempre às palmadas nas costas? Sobretudo se estivemos uns tempos sem nos vermos é um festival de pancadaria cúmplice, acompanhado de palavras ternas tais como

- Meu cabrão
e outras doçuras no género»
António Lobo Antunes
Visão on-line, 27 de Jul de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Bom dia, Ana Sofia

Cáceres - 1999
Desconfio que apareceste agora por estes sítios virtuais só para teres mais uma mensagem de parabéns.
Mas eu desculpo-te.
E envio-te os parabéns.
Tudo de bom para ti.

(São os vossos "aparecimentos" que nos vão animando)



Subindo para Marvão pela calçada romana, debaixo de trovoada - 1999

Calculo que vás sorrir quando vires as fotos e recordares as situações e as personagens.

Foi você que pediu uma Praga?

Na história da ida ao médico, o Raúl Solnado contava que, no hospital, tinha pedido um quarto particular. Deram-lhe um quarto grande, muito bom. Mas para ele não ficar sozinho puseram lá mais 85 doentes!
Praga deve estar pior do que assim. Em Junho de 2002 (bons tempos em que pude fazer férias num período diferente que não final de Julho-Agosto), os turistas já eram mais do que muitos.
Nós queremos ir para locais onde gostaríamos, sempre, que os outros não fossem. Só outros poucochinhos - vá lá... meia-dúzia bem contada!

Mas não me importava nada de voltar a Praga... mesmo com uma multidão à volta.
Para matarmos saudades (fui aos meus arquivos):












domingo, 7 de agosto de 2011

Casa-Museu Anastácio Gonçalves

«Coleccionar é um vício. Coleccionar quadros e móveis é, ainda por cima, um vício caro. O que vale é que é um vício de que sempre fica alguma coisa.»
Dr. Anastácio Gonçalves (1888-1965 - médico oftalmologista e coleccionador de arte que, por testamento,
deixou as suas colecções ao Estado para a criação da casa-museu)

Ainda bem que há gente com dinheiro que tem... cultura (saber, conhecimento, bom gosto e gosto em partilhar o que foi seu).